Minas Gerais ultrapassou a marca de 5 milhões de trabalhadores formais em 2026, segundo dados do Ministério do Trabalho. Mas quem são esses profissionais? Após analisar milhões de registros do Novo CAGED, o pesquisador do Geesul, Guilherme Vivaldi, apresenta um retrato detalhado do mercado de trabalho mineiro, revelando um cenário de rotatividade alta e disparidades acentuadas.
O Mapa do Emprego
A maior concentração de mão de obra no estado está nos setores de comércio, indústria de transformação e serviços administrativos. Belo Horizonte lidera o ranking de empregadores, com mais de um milhão de postos ocupados. No extremo oposto, cidades como Serra da Saudade e Cedro do Abaeté registram menos de 80 empregos formais cada.
Os cargos com maior volume de contratações no estado são:
- Vendedores;
- Faxineiros;
- Alimentadores de linha de produção.
Escolaridade e Juventude
O perfil educacional é marcado pelo ensino médio completo (64,1%), enquanto apenas 7,3% dos trabalhadores possuem curso superior concluído. O mercado é em sua maioria masculino (56,9%) e jovem, com a maior concentração na faixa dos 18 aos 26 anos.
Rotatividade em Alta
Um dado alarmante é a queda na retenção de talentos. O tempo médio de emprego, que hoje é de 18 meses, sofreu uma redução de cerca de 20% entre 2020 e 2026. O setor da construção civil é o mais volátil, com média de apenas 12 meses de permanência; uma parcela significativa desses trabalhadores deixa o emprego formal antes de completar o primeiro semestre no cargo.
O Abismo Salarial
A maioria dos mineiros recebe entre R$1.600,00 e R$2.000,00. Embora o diploma universitário eleve a média para R$ 2.816,00, a desigualdade é gritante: menos de 1% dos trabalhadores ganham R$10.000,00 ou mais.
- Maiores salários: Diretores de Produção e Operações de Hotel chegam a receber R$ 60.000,00.
- Menores salários: Diretores de ONGs, desenhistas técnicos e certas categorias de professores (muitas vezes condicionados ao pagamento por hora/demanda).
Geograficamente, a Região Metropolitana de Belo Horizonte sustenta a maior média salarial, enquanto o Norte de Minas registra os menores índices.
Desigualdade de Gênero: Mais estudo, menos renda
O estudo de Vivaldi reafirma um problema estrutural: mesmo sendo mais instruídas, ocupando 61,8% das vagas que exigem ensino superior, as mulheres ganham menos que os homens.
A média salarial masculina é de R$1.864,39, contra R$1.707,00 das mulheres. Essa distância aumenta conforme o nível do cargo. Na Engenharia de Minas, por exemplo, a diferença média chega a R$ 2.500,00 em favor dos homens.
“A conjuntura econômica atual possibilita uma transição rápida entre empresas, mas o desafio permanece na formalização do trabalho feminino e na igualdade salarial. No dilema de eternos processos seletivos e baixa retenção de colaboradores, um olhar sobre a disparidade salarial (de sexo e entre cargos), é o primeiro passo para resolver o dilema da baixa retenção de colaboradores”, pontua o pesquisador.
05/05/2026
Guilherme Vivaldi
