Em maio de 2026, foram divulgados os dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2024 para o Brasil, os estados e as regiões metropolitanas, por meio do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, elaborado pelo PNUD Brasil, Ipea e Fundação João Pinheiro (FJP). O resultado foi positivo para o país e para a maioria dos estados brasileiros.
Comparamos os dados de 2024 com os de dez anos antes (2014) para entender as mudanças no desenvolvimento humano em cada região. Antes disso, cabe explicar o que é o IDH: trata-se de uma medida criada para enfatizar que as pessoas e o desenvolvimento de suas capacidades devem estar no centro das decisões ao avaliar o desenvolvimento de um país. O IDHM brasileiro é composto pelas mesmas três dimensões do IDH Global — longevidade, educação e renda —, mas vai além, adequando a metodologia global ao contexto brasileiro e à disponibilidade de indicadores nacionais (PNUD, 2026).
De 2014 para 2024, o IDH brasileiro subiu 5,92%, atingindo a classificação de Muito Alto em 2024, com 0,805 ponto. No ranking dos estados brasileiros, o Distrito Federal segue em primeiro lugar há dez anos, seguido por São Paulo, também mantendo a segunda posição, e por Santa Catarina, em terceiro lugar. Até a sexta colocação, o ranking permaneceu inalterado ao longo da década, concentrando estados das regiões Sudeste e Sul.
Entretanto, a partir da sétima posição, 2024 trouxe mudanças. Minas Gerais ocupava o sétimo lugar em 2014, mas caiu para a nona posição em 2024. Quem assumiu o posto foi Goiás, que avançou quatro posições no período.
Os estados que mais perderam posições no ranking foram Amapá (22º lugar em 2024, contra 14º em 2014) e Acre (25º lugar em 2024, contra 18º em 2014). Pelo lado positivo, Rondônia saltou da 13ª posição em 2014 para a 7ª em 2024. Além de Goiás, Ceará e Paraíba também se destacaram, subindo três posições cada.
O estado com menor índice em 2024 foi o Maranhão (0,62), assumindo a posição que era de Alagoas, estado que apresentava o pior resultado do país em 2014.
A comparação entre os gráficos revela mudanças sutis, mas de grande significado. Pelas cores, tudo parece praticamente igual após dez anos. Observa-se que os estados líderes em desenvolvimento humano permanecem destacados em azul (Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina). No entanto, a diferença entre eles e os estados menos desenvolvidos, representados em vermelho, diminuiu ao longo do período.
Em 2014, a diferença entre o estado mais desenvolvido (Distrito Federal) e o menos desenvolvido (Alagoas) era de 0,164 ponto. Já em 2024, essa distância diminuiu para 0,120 ponto quando comparados Distrito Federal e Maranhão. Observa-se também, pelas cores dos mapas, que São Paulo e Santa Catarina perderam intensidade relativa, enquanto Goiás ganhou destaque. Para confirmar essa tendência, calculamos o desvio-padrão dos índices estaduais: em 2014, ele era de 0,0405; em 2024, caiu para 0,0319.
Ao analisar os componentes do IDH, todos apresentaram menor dispersão em 2024 do que em 2014. No entanto, a dimensão Renda foi a que apresentou a menor evolução e continua sendo a que registra os menores resultados entre as três dimensões avaliadas.
O Brasil está menos desigual no quesito desenvolvimento humano? Segundo os dados do IDH, a resposta é sim. Nos últimos dez anos, observa-se não apenas a evolução positiva dos indicadores, mas também a ascensão de estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste no ranking nacional, além da redução da desigualdade medida pelo desvio-padrão dos índices estaduais.
A diferença pode parecer sutil à primeira vista, mas os dados indicam uma trajetória gradual de convergência entre os estados brasileiros, sinalizando avanços importantes no desenvolvimento humano do país.
Guilherme Vivaldi
Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional – Fundador do Geesul
